Testemunhos

Esta página é dedicada à divulgação de testemunhos. Contamos com a colaboração de todos e todas (pais, filh@s, familiares e amig@s).


Uma carta que nos foi enviada por uma mãe de uma pessoa trans – 17.02.2016

Mais uma vez admiro a vossa associação, trabalho , empenho, dedicação e esforço para que os problemas se resolvam  e   para que todos possam viver num mundo melhor.

Os Transsexuais devem ter os mesmos direitos nesta vida, como qualquer cidadão, se trabalham fazem seus descontos normalmente ou seja também contribuem e muito para a Economia do País, então porque lhes negar a devida assistência, isso é como negar a sua própria existência a qual não podemos nem devemos negar.

Como posso eu negar um filho que nasceu aos olhos do mundo perfeito, mas que aos seus própios olhos e seu corpo físico exteriormente se sente

em um corpo estranho? Foi muito bom terem criado a lei de alteração de nome, mas essa lei ficou pela metade, pois é mais que evidente que a partir do momento que a pessoa muda de nome é para se livrar de um fardo e não para carregar outro fardo! Como pode uma pessoa ter rosto de homem ou visse versa se o sexo não combina com o próprio ser? Esses seres humanos passam por aberrações fisicamente e psicologicamente são bombardiadas no mais intimo do seu ser. Os senhores da lei precisam perceber que isto é muito sério! Estamos a falar de HUMANOS e não de bichos mal formados ou deficientes. Sou pelo direito e expressâo destas pessoas que caladas vivem em constante sofrimento.

Até qualquer dia,

 


Um mail de um psicólogo que soube da AMPLOS na televisão – 24.03.2015

Estimada equipa da AMPLOS,

Peço, antes de mais, que me desculpem estar a tirar-vos algum tempo com este e-mail, já que não é um assunto que se relaciona com as vossas metas/objetivos, escrevo-vos apenas para dizer parabéns e obrigado!

Há uns tempos atrás vi uma peça na tv sobre o vosso grupo e fiquei maravilhado com a capacidade de investimento (afectivo, emocional, de participação) e de coragem em prol dos filhos. Ainda para mais tratando-se de um tema tão delicado como a aceitação de orientações não heterossexuais por parte de pais.
Estou certo de que o sabem, mas o vosso testemunho, a vossa presença e as narrativas que vão chegando da AMPLOS são essenciais para que pais em situações idênticas aceitem a orientação sexual e identidade de género dos filhos, o que leva a que se desenvolvam laços essenciais entre pais-filhos.

Não sou pai, sou apenas um jovem teórico que está a estudar o envolvimento parental (com enfoque no paternal) e a sua influência na transição dos filhos para a vida adulta – vinculação e segurança afectivas (tese que estou a desenvolver no doutoramento em psicologia) e fiquei maravilhado, agora que acedi ao vosso site e descobri que continuam bem vivos e em investimento.

Obrigado por tornarem o meu trabalho teórico em prático (leio e leio sobre como se dão as relações pais-filhos, mas a prática é pouca e os casos de sucesso igualmente poucos) e fazem-me acreditar que ainda faz sentido apostar nesta vertente.

Um bem haja a todos os pais e mães (e todas as figuras parentais no geral) e seria um gosto enorme poder um dia conhecer-vos pessoalmente e, quiçá, ainda integrarem a amostra do meu projeto, ehheheh.

Abraço de estima,

 


Uma carta enviada dia 09.07.12

Boa tarde à AMPLOS – a todos vocês,

não que hoje seja um dia especial por algum motivo, mas não quis deixar passar de hoje. Não sou mãe, sou filha. Acima de tudo sou pessoa e é enquanto pessoa que vos escrevo. Que vos escrevo de coração cheio por existirem no mundo. Tenho uma admiração enorme e um orgulho por ter no meu país uma ampla associação de heróis. Verdade seja, no mundo ideal vocês não existiam enquanto associação, mas até lá, vocês estão cá. Existem quando poderiam não existir. Abraçam quando muitos afastam. Sorriem quando muitos choram. Lutam enquanto muitos lamentam. Enfrentam enquanto muitos se escondem. Amam enquanto muitos detestam. Estão, quando muitos se foram. E tudo o que fazem, acredito, fazem de coração. Fazem pelos vossos filhos, pelos nossos pais e pela sociedade. Pelo mundo. Dão a cara por uma igualdade que é de todos. Provavelmente também já afastaram, choraram, lamentaram, se esconderam, detestaram. Mas conheceram, enfrentaram e estão na linha da frente numa luta de paz que é louvável. Estiveram e estão, tantas vezes, mais do que eu. Mais do que nós. Seria impossível passar de hoje e – só porque sim, mas de coração cheio – agradecer a vossa existência. Vejo-vos e tenho-vos como a luz ao fundo do túnel de tantos pais que estão dispostos a amar na escuridão, fazendo-se luz. E agradeço, agradeço todas as vezes, vezes sem conta.

Um abraço com muita admiração e muito carinho. Que continuem, até não mais ser preciso continuar,


Um poema enviado por uma mãe da AMPLOS no Dia da Mãe (01.05.11)

E ele olhou para mim e esboçou um sorriso.
Seria um sorriso? Ou apenas um bocejo?
Esticou as pernas e os bracitos como quem diz “Cheguei!”
Olhei para aquele corpo tão pequenino e indefeso e pela primeira vez na vida senti-me uma Deusa, mas uma Deusa assustada.
Aquele pedacito de vida era o meu prolongamento e dependia completamente de mim.
Jurei naquele momento que todos os segundos, minutos e horas da minha vida seriam sempre a pensar na felicidade deste ser…
porque o amor de uma mãe não tem limites.

Dedicado às mães da Amplos,
Uma mãe anónima.


 

Carta enviada à AMPLOS a 31.03.11

Olá, AMPLOS! 🙂

O meu nome é x. Foi através da internet que vos descobri, andava eu a fazer as minhas pesquisas. Li o vosso blog todo, vi todos os vídeos, emocionei-me muito ao ler os testemunhos. Emocionei-me, também, porque não sabia da existência deste género de associações pelo mundo fora. Mães e pais maravilhosos que amam os seus filhos incondicionalmente e, ao mesmo tempo, lutam pelos direitos humanos, ajudam outras familias, é maravilhoso! Gostaria muito de assistir a próxima reunião no Porto. As reuniões são sempre ao Domingo, certo? É melhor para mim. Estarei atenta ao vosso blog. Obrigada por existirem. Beijinhos para todos esses pais maravilhosos da AMPLOS. 🙂 x


 

Carta de um pai da AMPLOS escrita no Dia do Pai dia 19.03.11

Pai

Senti a tua falta. Eu já tinha 23 e tu apenas 50. Os mesmos 50 que agora tenho. Parece que foi ontem. Sim, há emoções que nos ficam esculpidas na alma. Até ao fim dos nossos dias.

Senti a tua falta quando nasceram os meus filhos, teus netos. Doeu não ter podido desfrutar do prazer de te dar a notícia e de partilhar contigo as emoções irrepetíveis que só os filhos e os pais sentem nesses momentos.

Senti a falta dos nossos longos passeios a pé pelo campo na primavera, das nossas longas conversas. Conversas sem censuras nem falsos pudores que tolhem os fracos de carácter e acabam por castrar a imaginação e a criatividade dos jovens.

Voltei a sentir a tua falta o ano passado pai quando o meu filho, teu neto, com a mesma idade que eu tinha quando partiste, revelou que era um Filho Especial.

Quero agradecer-te o tempo que me dedicaste a explicar a sorte que tivemos em ter nascido. A sorte de vivenciarmos as emoções da grande aventura da Vida. Da sua Riqueza. Da riqueza que advém da Diversidade. Diversidade das espécies animais e das plantas. Diversidade humana da cor, das crenças e convicções. Das diferenças de sexo e de género. Na orientação sexual de cada um.

Tão curto quanto sábio esse teu tempo, pai.

Porto, 19/03/2011